Em São Paulo, maioria da população é contra a privatização do metrô

Neste mês de setembro será realizado o leilão da Linhas 5-Lilás e 17-Ouro do metrô de São Paulo, alvos iniciais da privatização do sistema planejada pelo governo de Geraldo Alckmin (PSDB). A privatização, além de ser constantemente denunciada pelos trabalhadores, é rejeitada pela população da cidade.
Luiz Issao Haru
De acordo com a pesquisa ”Os Usuários e o Metrô de São Paulo: Percepções e Demandas”, produzida pelo Instituto Locomotiva, e encomendada pelo Sindicato dos Metroviários de São Paulo em 2016, dos entrevistados que opinaram, 51,9% é contra a privatização do metrô, 60% não acredita que a privatização resolveria os problemas do metrô, e para apenas 4% a privatização deveria ser uma prioridade.

A pesquisa também revelou que 98% dos usuários acreditam que é dever dos governos oferecer transporte público adequado para a população, e 92% crê que o Metrô deveria receber mais investimentos.
Os usuários ainda demonstraram outras preocupações quando questionados sobre a privatização. Uma pressão de empresários para subir a tarifa caso o Metrô fosse privatizado foi a conclusão de 2 a cada 3 usuários.
Especificamente em relação aos usuários da Linha 5-Lilás, a pesquisa aponta que 60% deles é contra a privatização.
Redes sociais confirmam pesquisa, e rejeição a privatização do metrô é nacional
Os usuários das redes sociais têm opiniões e percepções semelhantes às apresentadas pela pesquisa do Instituto Locomotiva. De acordo com a análise de dados de redes sociais colhidos pela empresa Mission Control, no mês de setembro de 2016, cerca de 53% dos usuários de metrôs no Brasil se colocam contra a privatização do Metrô na redes.
Esta parcela cresceu ainda mais neste ano, como é possível perceber com o resultado de pesquisa semelhante da empresa N1N3 Data Science, realizada entre os meses de janeiro e abril de 2017, quando 89% dos usuários se posicionaram contra a privatização. Neste período, a população tomou conhecimento das delações de corrupção dos executivos da Odebrecht, que mostraram que a privatização é uma forma de privilegiar as empresas que financiam campanhas de diversos políticos.

A privatização em São Paulo
A Fenametro faz coro à rejeição da população às privatizações, e denuncia as privatizações não apenas em São Paulo, mas em todo país. Além de trazer aumento da tarifa, demissão de trabalhadores e precarização do serviço, a privatização está intimamente conectada com a corrupção. As empresas envolvidas nos escândalos da Lava Jato e do Trensalão são as mesmas que concorrem em leilões como o da Linha 5, como ocorreu no caso da Linha 4-Amarela, também em São Paulo.
Elencada para ser privatizada, a Linha 5-Lilás já é alvo de denúncias de corrupção. De acordo com reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, executivos da Camargo Corrêa afirmaram em delação premiada que a construtora pagou R$ 2,5 milhões para fraudar a licitação das obras em 2010. Na delação, há ainda a afirmação de que os repasses favoreceriam um cartel, envolvendo além da Camargo Corrêa as empresas Andrade Gutierrez, OAS, Odebrecht e Queiroz.
O lance inicial deste leilão estava previsto para R$ 189,6 milhões, um valor extremamente baixo e que ainda será financiado com dinheiro público, pelo BNDES.

Sindicato organiza plebiscito contra a privatização
O Sindicato dos Metroviários de São Paulo está organizando um plebiscito contra a privatização, que em seu primeiro dia de divulgação já colheu mais de mil assinaturas e teve grande apoio da população. Se você também é contra esta política pode assiná-lo nas estações no Metrô nos dias 5, 6, 12, 14, 19 e 20 deste mês.
As informações são da Fenametro

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