Viação Gato Preto vai avaliar ônibus a gás natural em linha da Zona Oeste de São Paulo

Ônibus GNV já na garagem da Gato Preto e deve ser testado em linha da Capital Paulista| Foto: William Alves Moreira 

Combustível é apontado como alternativa para redução de poluentes, mas estudos internacionais colocam em dúvida benefícios ambientais

Já está na garagem da Viação Gato Preto, operadora área 8, zona Sudoeste do sistema estrutural da capital paulista, um ônibus que pode ser movido a GNV – Gás Natural Veicular ou biometano, combustível obtido pelo processamento de gases gerados na decomposição do lixo. Fontes ligadas à empresa de ônibus enfatizaram que trata-se de um teste.

Ainda não há data para a circulação com o veículo, mas o intuito da empresa é colocá-lo na linha 874C/10 (Parque Continental - Metrô Trianon-Masp).

Cilindros ficam sobre carroceria| Foto: William Alves Moreira 
O veículo foi produzido pela Scania, com carroceria Marcopolo modelo Viale.

Em abril deste ano, em evento de 60 anos da montadora no Brasil,  o diretor de vendas de ônibus, Silvio Munhoz, confirmou à reportagem que havia interesse de empresas de São Paulo em conhecer o veículo, que foi demonstrado em outras cidades.

O ônibus hoje moderno a GNV, que já temos condições de produzir em São Bernardo, custa em torno de 25% mais em comparação com o veículo diesel. A manutenção é em torno de 2% mais cara. No entanto, todos os testes e demonstrações feitas em diversas cidades brasileiras mostram que o custo operacional é quase 30% menor que o ônibus diesel, o que faz compensar todos esses investimentos. Em dois anos, ou dois anos e meio, um veículo desse tipo paga o investimento adicional feito no início. Para chegarmos a esse valor 25% maior, é levado em consideração o modelo com configuração de piso baixo exigida, pela SPTrans.” – disse Munhoz naquela ocasião.

O modelo é apresentado à companhia de ônibus bem às vésperas do edital de licitação dos transportes da cidade que deve exigir das empresas operadoras cumprimento de metas de redução de poluição.

As metas farão parte do edital. Além disso, projetos na Câmara Municipal querem estipular novo cronograma de substituição da frota a diesel no lugar do artigo 50, da Lei de Mudanças Climáticas, de 2009, que na época que foi assinada previa a substituição de 10% ao ano dos ônibus até que em 2018 nenhum veículo de transporte coletivo dependesse somente de diesel. Atualmente, apenas 6% da frota dos 14,7 mil ônibus teriam condições de atender a esta lei.

Enquanto em São Paulo se discute como os ônibus podem ser menos poluidores e o GNV é apontado como alternativa, um estudo internacional da Federação Europeia de Transportes e Ambiente T&E, que reúne no continente, entidades que analisam os impactos da mobilidade de pessoas e dos deslocamentos de carga no meio ambiente, divulgado em março de 2016, lança dúvidas sobre a eficácia do Gás Natural Veicular para reduzir a poluição.

Com o título, “Veículos a Gás Natural – A Estrada para Lado Nenhum” , o trabalho que usou dados de 2015, diz que  “os veículos movidos a GNL (Gás Natural Liquefeito)não acrescentam nenhum benefício de redução da poluição em comparação com os veículos a gasolina. Enquanto os carros a GNL emitem menos óxidos de nitrogênio (NOx) do que os motores a gasóleo, a introdução de testes em condições de condução reais e limites de emissões mais apertados, irá reduzir rapidamente a vantagem do gás natural em veículos.”

Ônibus tem 15 metros de comprimento e piso baixo, seguindo o padrão SPTrans | Foto: William Alves Moreira 
Por outro lado, especialistas e estudos defendem o gás natural como alternativa aos veículos.

O diretor da L’Avis Eco-Service, especialista em transporte sustentável, e membro fundador da Comissão de Meio Ambiente da Associação Nacional de Transportes Públicos – ANTP, Olímpio Alvares, diz que o gás natural veicular em veículos de transporte coletivo permite reduções consideráveis, principalmente das emissões de material particulado fino, que é cancerígeno, e  de óxidos de nitrogênio.

Em artigo enviado após a divulgação do estudo da Federação Europeia de Transportes e Ambiente T&E, Olímpio afirmou que o GNV deve ser considerado para ônibus.

A proporção de redução da emissão de MP2,5 dos ônibus a gás é de 50% a menos em relação a um veículo equivalente de última geração a diesel Euro 5; e de 93% a menos, comparado a um ônibus a diesel Euro3.

Se o uso for de biometano, gás originado na decomposição do lixo, os benefícios ambientais e econômicos serão maiores ainda, segundo o pesquisador.

A operação de ônibus dedicados a queimar gás pode tornar-se 100% sustentável, caso essa seja feita direta ou indiretamente com biometano produzido do biogás renovável, zerando as emissões de GEE – gases de efeito estufa – do gás natural veicular (GNV) fóssil.

Do ponto de vista econômico, Olímpio destacou que o gás natural é adequado para a realidade brasileira. “No Brasil, são enormes as reservas disponíveis de gás natural. A pré-existência de uma rede para suprimento doméstico do gás natural ajuda a viabilizar o uso do GNV como alternativa financeiramente competitiva.”

As informações são do Diário do Transporte

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